VIELA ENSANGUENTADA

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de WESLEY BARBOSA

ROMANCE
ISBN (PAPEL): 9786587622132

Formato: 14 X 21 cm
Páginas: 120
Ano: 2022
Projeto gráfico / capa: Alonso Alvarez


No romance Viela Ensanguentada, Wesley Barbosa narra a trajetória de Mariano, um apaixonado por livros que sonha em contar a própria história.

“As casas de tijolos vermelhos, umas amontoadas nas outras, às vezes eram demolidas pelo caminhão da prefeitura, de modo que muita gente ficava sem ter onde morar e ia para debaixo da ponte”, diz trecho do livro.

A dura realidade das periferias — falta de moradia e de saneamento básico, fome, ausência de perspectiva — marca a história. Apesar do cenário violento, a narrativa também abriga sonhos e esperanças do personagem.


Prefácio
 

Sei dos meus esforços, da minha caminhada, do barulho dos meus passos, das pedras que chutei e irei chutar, mas que um dia me darão suporte para construir uma ponte por onde passar.

Sei das noites de solidão e dos dias mirrados, da passagem na rua dos meus sonhos, do mar em que me afogo e torno a subir à superfície. 

Sei da realidade em que vivo: a caneta, a folha, a mesa e as ideias. 

No fim, a escolha: trabalhar para sobreviver e guardar o sonho no arquivo da memória ou seguir em frente.

Sei da rejeição, do abandono, da cicatriz no coração e da dor na alma, mas entre reter a mágoa e chafurdar na lama,  escolho persistir.

Por isso guardo pensamentos, junto ideias escrevendo palavras na folha e desperto.

Então, pela manhã, ouço o sinal da garagem soar ao longe. Daqui a pouco os ônibus vão começar a rodar.

Sei que, nesse momento, muitos homens e mulheres preparam-se para a lida. 

O pãozinho comprado ontem à noite, na padaria da esquina, desce pela garganta com o café feito às pressas.

Sei do beijo da mãe no filho que dorme o sono dos inocentes; do olhar fixo do homem, parado na soleira da porta e que não olhou para trás; do jovem que encara a cerração da manhã pela primeira vez e que se benze antes de partir.

Dali a pouco, às sete horas da manhã, são os sinos da igreja que estarão tocando, o mesmo sino do tempo em que eu era menino e saía de manhãzinha para ir à escola de ônibus escolar.

Tornei-me guardador de memórias, miudezas e detalhes que vou escrevendo. Tentando recolher aquele menino no ponto de ônibus, vou guardando o barulho de pequenas coisas: a moeda que cai no chão, o molho de chaves, o sapato da minha mãe que chegava depois do trabalho e eu correndo para arrumar a bagunça.

Tudo isso nesse arquivo invisível que se chama memória.
É verdade: tenho essa mania estranha de colecionar fatos e acontecimentos...

Na época em que eu estudava em Itapecerica da Serra, a professora dizia que eu ia ser escritor. Ela e mais um monte de gente que me via com os livros ou escrevendo no pátio da escola.

A verdade é que eu já sabia que esse seria o meu rumo na vida.
Que eu possa colher a poesia das coisas e mesmo na falta de fé eu tenha coragem, como essas mulheres que não têm tempo de ver seus filhos ao amanhecer, como esses homens que não olham para trás e sabem que a lida é dura, ou esses jovens que encontram cedo o caminho.

Enquanto escrevo, ouço as janelas dos vizinhos se abrindo, ouço choro de criança, vozes e cães latindo.

É a vizinhança amanhecendo para a vida.

Ao longe, escuto o sinal da garagem de ônibus e os sinos da igreja ecoando.

Hoje não sou o mesmo de ontem e nem sei até quando serei o de hoje, porque o homem muda com o tempo, mas a essência continua a mesma.

Que as palavras continuem a brotar e eu consiga atravessar a ponte, porque esse é o destino de todo homem que sonha e luta.

O autor
 


Wesley Barbosa nasceu em Itapecerica da Serra (SP), em 1990. Estudou até o ensino médio completo. Trabalhou como bibliotecário na escola em que fazia estágio  e onde passava a maior parte do tempo lendo e escrevendo. Publicou a coletânea de contos O diabo na mesa dos fundos (2016)  e que foi todo escrito no mesmo período em que trabalhava como vendedor ambulante. Parágrafos Fúnebres, (2020). Relato de um desgraçado sem endereço fixo (2021). Viela ensanguentada é seu romance de estreia.

Instagram: @barbosaescritor
Gmail: wesleyliteraturamarginal@gmail.com

 

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